Por que governos autoritários odeiam os sindicatos?

Períodos de autoritarismo não são necessariamente uma novidade para o Brasil. No século passado, o país viveu ciclos históricos repletos de abusos e tiranias. São momentos diferentes entre si, mas que apresentam alguns pontos em comum. Um deles é a repressão à luta dos trabalhadores.

Os sindicatos foram os principais alvos de repressão nesses períodos. Durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, o governo proibiu greves porque elas supostamente contrariavam  “os interesses nacionais”. O mesmo argumento foi utilizado pela ditadura militar anos depois para proibir novamente as paralisações e autorizarem a interferência estatal nos sindicatos.

Por trás desse discurso, contudo, existia um plano de favorecimento dos interesses das elites, cada vez mais dispostas a acabarem com a democracia para alcançar lucros ainda maiores.

Infelizmente, o Brasil de 2019 se aproxima mais desses cenários autoritários e se afasta dos períodos de liberdade sindical. A diferença é a maneira como o ataque tem sido feito: por meio do sufocamento estrutural dos sindicatos e de campanhas difamatórias.

Bolsonaro e o sufocamento dos sindicatos

Se as entidades sindicais eram importantes para os trabalhadores no século passado, elas são ainda mais fundamentais no governo Bolsonaro. Nas palavras do presidente, o mercado de trabalho ideal seria aquele próximo da informalidade, ou seja, sem nenhum direito aos trabalhadores.

Essa intenção está expressa em cada ato do governo: a extinção do Ministério do Trabalho, as sucessivas críticas aos direitos trabalhistas, a ameaça de acabar com as normas de segurança do trabalho, a desaprovação da multa de 40% do FGTS nas demissões sem justa causa entre outros. Aos patrões, nenhuma obrigação. Ao trabalhador, o descaso e o abandono.

Para entender essa ofensiva contra os direitos, no entanto, é necessário falar sobre a Reforma Trabalhista, que entrou em vigor em 2017. Sua aprovação só foi possível porque a direita e a extrema-direita se uniram no Congresso Nacional para acabar com direitos trabalhistas e, principalmente, para criar uma série de barreiras para a existência dos sindicatos.

Trata-se de uma ação coordenada: em primeiro lugar, criam-se dificuldades para os sindicatos atuarem e, depois, retirar-se os direitos. As elites e os políticos que as representam sabem muito bem que o poder de mobilização das entidades sindicais pode barrar os retrocessos. Por isso, tentam a todo custo reduzir sua importância política e criar um clima de competição entre os trabalhadores.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Santiago da Silva Santos, só o fortalecimento das entidades sindicais poderá barrar os retrocessos impostos por Bolsonaro. “O plano desse governo é muito claro: transformar os trabalhadores em mão de obra barata sem nenhuma garantia trabalhista. Nós vamos resistir a essa desumanidade e trazer o Brasil novamente para um caminho de prosperidade e dignidade”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR