Petrobrás e meio ambiente: assunto que deveria mobilizar a sociedade

Foto: Leo Malafaia – Folha / PE

Quando acontece algum acidente ambiental que envolva a Petrobrás, a proporção é gigantesca. Exemplo disso foram os vazamentos de óleo na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, que contaminou principalmente o rio Iguaçu, no Paraná, em 2000; o desastre na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 2001, além do afundamento da Plataforma P-36, no mesmo ano.

Impactos ambientais como esses, que aconteceram no período neoliberal brasileiro, não devem ser esquecidos, principalmente pela retomada dessa agenda de precarização das estatais com o objetivo de vende-las.

E nesse contexto, quando o assunto é precarização, infelizmente a direção do Sindiquímica-PR, já se sabe como funciona. O coordenador geral do sindicato, Santiago da Silva Santos, explica que “não é coincidência esses fatos acontecerem justamente no período neoliberal. A Fafen foi privatizada nesse período. Passamos pelo processo de precarização, até culminar no desligamento de muitos trabalhadores”.

Quem está no olho do furacão, trabalhando no Sistema Petrobrás, acompanha com preocupação, desde 2016, o assombroso retorno do pesadelo neoliberal. “Já começaram as demissões de trabalhadores, além da redução das manutenções preventivas e corretivas”, completa Santiago.

Já em 2019, a precarização da manutenção resultou no vazamento de óleo e água na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), no Complexo de Suape, em Recife. Mesmo contido, o derramamento ultrapassou o limite da Refinaria e chegou ao mangue próximo, nas margens da via que segue para Porto de Galinhas.

Em agosto desse ano, outro vazamento de óleo. Dessa vez após trincas no casco de uma plataforma da empresa Modec, que estava a serviço da Petrobrás, despejou na Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro, um volume de 6,6 mil litros.

Essas situações evidenciam os riscos da terceirização da atividade de exploração do petróleo brasileiro. “Por isso é preciso barrar as precarizações que ocorrem na Petrobrás. Possuímos condições tecnológicas, estruturais e mão de obra capacitada para evitar que esse tipo de incidente aconteça”, conclui Santiago.

Leilões

Outra questão que assusta é a intensidade com que os leilões de petróleo estão sendo marcados pela Agência Nacional do setor. Há inúmeras contestações na Justiça sobre os impactos ambientais desses eventos, principalmente em áreas e blocos para exploração de petróleo e gás natural.

Atualmente há blocos próximos a áreas ambientais. Na primeira roda, felizmente, as empresas que participaram não demonstraram qualquer interesse na exploração de petróleo próximos ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos, arquipélago com a maior biodiversidade do Atlântico Sul, na Bahia.

O risco é iminente e os olhares se voltam para a 6ª Rodada de Licitação do Pré-Sal, marcada para sete de novembro, assim como o leilão do Excedente da Cessão Onerosa, no dia anterior (06/11). O governo Bolsonaro pretende entregar 57 bilhões de barris de petróleo, o maior saqueio da história do país.