Pandemia desnuda desigualdade social brasileira

A pandemia da Covid-19 ressaltou de maneira mais escandalosa o abismo social brasileiro. A concentração de renda no país mostra que é uma nação projetada para matar pobres.

Um exemplo claro é de Belém, capital do Pará. Com hospitais públicos beirando o colapso, pois a região amazônica é uma das mais afetadas pela doença, o governo do estado e a prefeitura consideraram que empregadas domésticas são atividade essencial, fazendo com que essas trabalhadoras empobrecidas e com poucos direitos tenham que se expor à infecção.

No mesmo lugar, a elite empresarial tem a possibilidade de voar em aviões-UTI para se tratar em São Paulo, cidade maior e com mais recursos de saúde particular.

De Belém a São Paulo, o voo de UTI custa R$ 40 mil. Se a origem for Manaus, outra metrópole do Norte, sobe para R$ 80 mil, que equivale a 10 anos e seis meses de trabalho de uma pessoa pobre.

A abertura irresponsável da economia por parte dos governos, movidos por negacionismo e pelo lobby do setor patronal empresarial colabora para que a pandemia acelere seu ritmo nas periferias.

Em abril, o IBGE divulgou os dados consolidados sobre o rendimento do trabalho no Brasil em 2019. O 1% mais rico ganhou em média 33,7 vezes mais que o 50% mais pobre da população. A relação é de R$ 28.659,00 diante de apenas R$ 850,00 por mês, menos que um salário mínimo.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do IBGE também mostrou que os 10% mais ricos têm 42,9% da massa de rendimentos do país, enquanto que os 10% mais pobres têm apenas 0,8%. O Nordeste (R$ 569,00) e justamente o Norte (R$ 633,00) são as regiões com menor média de rendimentos para metade mais pobre da população.

Num país desigual em que a Emenda Constitucional 95, mesmo com alerta de entidades de trabalhadores, estrangulou os investimentos em Saúde, nada mais sintomático que a primeira morte de Covid-19 no Rio de Janeiro, segunda maior cidade, tenha sido de uma empregada doméstica infectada pelos patrões que voltaram a Itália e, doente, precisou viajar mais de 100 km para sua casa em uma periferia. Os patrões sobreviveram.

Fonte: Sindiquímica-PR