ONU defende renda básica universal contra desigualdade crescente na pandemia

A pandemia da Covid-19, além de impactos gigantescos para a saúde, está sendo também um desastre econômico para a maioria das pessoas no mundo. Em entrevista ao UN News, Kanni Wignaraja, diretora do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na Ásia-Pacífico, defendeu a implantação da renda básica universal por parte dos governos como forma de combater a desigualdade.

“A disseminação da COVID-19 abalou fundamentalmente as economias, e as pessoas estão começando a questionar os modelos econômicos existentes: essa pandemia realmente elevou os níveis existentes de injustiça e desigualdade em todo o mundo. São necessárias ideias mais ousadas, incluindo algumas que antes eram deixadas de lado. Na ONU, estamos dizendo que, se não houver um piso mínimo de renda para o qual recorrer quando esse tipo de choque maciço acontece, as pessoas literalmente não têm opções. Sem os meios para se sustentar, é muito mais provável que sucumbam à fome ou a outras doenças, muito antes de a COVID-19 chegar a elas”, explicou a diretora.

Segundo ela, é mais barato garantir que as pessoas tenham uma rede de segurança com a renda básica que gastar com subsídios a combustíveis fósseis, por exemplo. Citando os países da Ásia-Pacífico, ela notou que, apesar de endividados, os países da região têm baixos impostos e que estes são regressivos, penalizando os pobres, sendo um paraíso fiscal para os muito ricos com evasão de divisas, sonegação e corrupção. Cenário parecido com o do Brasil.

“Temos que parar esse sangramento financeiro. Consertar qualquer um desses pontos liberaria dinheiro suficiente para pagar a renda básica universal. A renda básica universal não é para sempre, mas, devido aos impactos sociais e econômicos da COVID-19, é necessária no momento”, analisou.

A diretora do PNUD também analisou que o mundo precisa de política ambiental séria, citando como exemplo a Coreia do Sul, que elegeu um governo que pretende zerar emissões de carbono até 2050 e cuidado com o meio ambiente, tendo em vista que o Coronavírus e outros vírus de grandes epidemias e pandemias são frutos da devastação ambiental, tendo saltado de animais para humanos.

Fonte: Sindiquímica-PR