Dia 13 terá mobilização contra o Future-se, que a entrega das universidades federais para os megaempresários

No Brasil de Jair Bolsonaro, a pergunta que não quer calar é: o país aguentará quatro anos de tanta devastação? Como um rolo compressor, a política da extrema-direita está destruindo todo as perspectivas de um país que tinha tudo para continuar crescendo com respeito e reconhecimento.

A Petrobrás, um dos principais motores da economia brasileira e orgulho em termos de soberania nacional, está sendo praticamente doada ao capital privado pela gestão atual.

Os retrocessos atingem em cheio os trabalhadores, que estão tendo que se mobilizar muito para impedir a destruição de seus direitos.

Resistência da educação

A educação pública, que nos últimos anos antes do golpe de 2016 vivenciou um desenvolvimento inédito na história do país, está indo para o mesmo caminho. Agora, ela pode passar a servir apenas aos interesses dos megaempresários e das elites. É isso que prevê o Future-se, o plano do governo Bolsonaro para privatizar as universidade e institutos federais do Brasil.

Por isso, professores, estudantes, servidores e trabalhadores de diversas categorias estarão nas ruas no dia 13 de agosto, em mais uma grande mobilização nacional em defesa da educação pública, contra os cortes de verbas e pela democracia.

Retrocessos

Se o Future-se for implementado, a administração das universidades e institutos federais será repassada para Organizações Sociais (OS), pessoas jurídicas de direito privado. É uma espécie de terceirização da gestão.

Elas ficarão responsáveis por definir as diretrizes do ensino, da pesquisa científica, do desenvolvimento tecnológico e da gestão de pessoas nas universidades e institutos. A educação superior pública será praticamente doada às empresas.

São vários os problemas dessa gestão atravessada. Em primeiro lugar, o ensino público e a ciência deixarão de ser guiados pelas necessidades da sociedade e passarão a responder apenas aos interesses do mercado.

Se uma pesquisa para amenizar os efeitos do câncer não for financeiramente interessante para a Organização Social, por exemplo, ela simplesmente será colocada de escanteio.

Outro ponto preocupante é que o Future-se vai interromper um processo de ampliação do acesso dos mais humildes à educação superior. Empresas privadas não se interessam pela democratização dos serviços públicos e não será diferente na educação.

Os professores também não têm o que comemorar com o projeto. As Organizações Sociais poderão determinar uma espécie de “código de ética” para gerenciar o trabalho deles e dos demais servidores das universidades.

Em um governo com posturas claramente autoritárias, há o receio de que esse seja o primeiro passo para censurar servidores que não concordem com as arbitrariedades das Organizações Sociais.

O projeto até autoriza as empresas a colocarem seu nome nos espaços físicos das universidades para fins de divulgação. Um campus da UFPR, por exemplo, poderia levar o nome de uma multinacional.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Santiago da Silva Santos, o Future-se representa perfeitamente o governo Bolsonaro: é um projeto de entreguismo e de desrespeito ao patrimônio público.

“Se hoje as universidades públicas são referência em produção científica e estão cada vez mais acessíveis à sociedade, é porque houve investimento público. Ao entregá-las para os grandes empresários, Bolsonaro novamente vira as costas para toda a sociedade brasileira”, critica.

Fonte: Sindiquímica-PR