Brasil registra crescimento de homicídios de mulheres

Apesar do discurso  infantil e desrespeitoso de Jair Bolsonaro sobre a desigualdade de gênero – ele chama pejorativamente de “mimimi” a luta das mulheres por respeito –, pesquisas recentes mostram que a violência contra as mulheres cresce de forma descontrolada no Brasil.

De acordo com o Atlas da Violência 2019, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de homicídios de mulheres aumentou 30,7% entre 2007 e 2017. Significa dizer que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil.

A escalada de violência contra as brasileiras foi puxada principalmente pelos atos praticados contra as mulheres negras, que cresceram 60,5% no período. Entre as mulheres não negras, o crescimento foi de 1,7%.

Os dados reforçam o que o movimento de mulheres estão dizendo há muitos anos: o aumento da violência está diretamente associado ao machismo. Prova disso é que o número de mortes violentas de mulheres dentro de casa subiu 17% em de 2012 a 2017, enquanto o assassinato de mulheres nas ruas caiu 3%.

Machismo

Especialistas apontam que  o agravamento do cenário se deve a dois fatores principais: de um lado, o crescimento do discurso de ódio contra a luta das mulheres, protagonizado por setores políticos de extrema-direita. De outro, os sucessivos cortes nos orçamentos das políticas de conscientização sobre o machismo e de proteção às brasileiras ameaçadas.

Entre 2014 e 2016, o orçamento das políticas para mulheres sofreu redução de 40%, de acordo com dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Em 2017, um novo corte reduziu o orçamento que restou pela metade.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Santiago da Silva Santos, o feminicídio – termo que define o assassinato motivado pela questão de gênero – é a parte mais visível de uma série de violências à qual as mulheres estão submetidas.

“As pesquisas e os números comprovam que o assassinato geralmente é o último passo de um caminho doloroso de violência e ameaças. Não podemos admitir que um governo trate esse cenário com descaso e, o pior, com ironia e piadas”, critica.

Armamento da população

Uma pesquisa do Instituto Datafolha ilustra com precisão o argumento de Santiago. Em 2017, mais de 4,7 milhões de brasileiras foram vítimas de agressão física – 536 agressões por hora – e 1,6 milhões sofreram espancamentos – três casos por minuto. Entre as entrevistadas, 42% afirmaram que o agressor era alguém conhecido – marido, namorado ou companheiro.

Um dos dados mais alarmantes da violência de gênero no Brasil, a propósito, pode ser agravado ainda mais pela fixação do Governo Bolsonaro pela liberação descontrolada de armas. Em cinco anos, o uso de armas de fogo em crimes de feminicídio aumentou 25,4%.

“O presidente da República faz tudo que não deveria ser feito: estimula o machismo e, ao mesmo tempo, libera as armas responsáveis por matar as mulheres dentro de casa. É urgente barrar essa política desastrosa”, afirma Santiago.

Fonte: Sindiquímica-PR