Brasil precisa de justiça fiscal para combater a crise da Covid-19

A crise desencadeada pela Covid-19, que se sobrepôs a uma crise econômica, precisa de medidas fiscais que permitam aquecer a economia. E não é fazendo os trabalhadores voltarem precocemente ao trabalho que isso será feito — inclusive piorará o quadro. É preciso agir abandonando a austeridade neoliberal e criando justiça fiscal ao cobrar a dos mais ricos.

Boa parte dos governos mundiais e dos economistas ortodoxos parece ter entendido isso, exceto no Ministério da Economia, em que o ministro Paulo Guedes segue pregando austeridade fiscal e demorando para agir. Boa parte disso se deve à equipe econômica negar que é a pandemia que gera a crise e não o isolamento.

“O Governo Federal prefere jogar o trabalhador na rua e adoecê-lo a dar medidas que permitam cumprir isolamento em segurança e proteger pequenas empresas. A muito contragosto, aceitou pagar o Auxílio Emergencial, proposto pelo Congresso, e agora fica criando entraves”, analisou o diretor do Sindiquímica-PR Santiago da Silva Santos.

O Brasil tem um dos sistemas tributários mais regressivos do mundo, com grande cobrança sobre consumo, pouquíssima sobre rendas e propriedades e nenhuma sobre dividendos. “Nenhuma reforma tributária funcionará se não atacar este problema. Se você desonerar o consumo, aquece a economia. Se arrecadar sobre grandes fortunas e dividendos, é mais dinheiro que pode ajudar a seguridade social e também aquecer a economia”, explicou o diretor do Sindiquímica-PR Ademir Jacinto da Silva.

Justiça social e fiscal reduz as desigualdades e também induz crescimento econômico duradouro. Gastos públicos em bem-estar social sempre voltam em impostos e fazem a roda girar. “As elites econômicas brasileiras infelizmente não têm visão de longo prazo do país. Eles também ganhariam com um país menos desigual, pois é mais gente consumindo, é emprego sendo gerado. Não é patrão que dá emprego, é a demanda”, concluiu o diretor do Sindiquímica-PR Gerson Luiz Castellano.

 

Fonte: Sindiquímica-PR