A farra dos agrotóxicos nos primeiros seis meses do governo Bolsonaro

Lá se foram 200 dias do governo Bolsonaro, sem dúvidas o mais danoso para o Brasil nos últimos 35 anos. Nesse período, a extrema-direita conseguiu algumas façanhas que pouco orgulham os brasileiros. Uma delas foi a de, em apenas seis meses, liberar mais agrotóxicos do que a União Europeia (UE) em oito anos.

As coisas vão muito bem para a bancada ruralista e para a indústria do veneno, que conseguiram a liberação de 290 substâncias somente no governo Bolsonaro. Os países europeus demoraram oito anos para liberar quantidade parecida, 229.

Trata-se de uma farra do veneno. A permissividade de Bolsonaro com a liberação das substâncias é tão grande que os próprios integrantes da bancada ruralista deixaram de insistir na tramitação do Projeto de Lei (PL) 6299/2002, conhecido como PL do Veneno.

Ao que tudo indica, a facilidade com que se libera o uso de veneno no governo Bolsonaro é tão gritante que não existe mais a necessidade de aprovar uma legislação específica para isso.

Para o diretor do Sindiquímica Santiago da Silva Santos, a gestão de Jair Bolsonaro é um verdadeiro atentado contra a população brasileira. “Os efeitos de muitas dessas substâncias ainda não foram devidamente identificados, liberá-las é uma grande irresponsabilidade. Bolsonaro está praticamente rifando a saúde dos brasileiros para atender aos interesses econômicos do agronegócio”, critica.

Saúde e meio ambiente

Ninguém se beneficia do uso indiscriminado de veneno a não ser as elites do campo.  O rastro deixado pelas substâncias atinge dos seres humanos às abelhas, passando pela flora brasileira.

Nos humanos, os dois tipos de intoxicação – a crônica e a aguda – devem se tornar cada vez mais comuns nos próximos anos. A aguda resulta da exposição a altos níveis de toxicidade e atinge principalmente os trabalhadores rurais, provocando náuseas, vômitos, alergias e outras doenças.

Já a intoxicação crônica pode afetar qualquer pessoa, já que é gerada pelo acúmulo de pequenas quantidades de agrotóxicos no organismo.  A presença de venenos no corpo já foi cientificamente relacionada com o surgimento de diversos problemas de saúde, como doenças respiratórias, autismo, câncer, Alzhaimer, doenças respiratórias etc.

Paralelamente a esses danos, o uso irresponsável de veneno também desequilibra o meio ambiente. O ritmo avançado de morte de abelhas, as principais polinizadoras da maioria dos ecossistemas do planeta, é um atentado à biodiversidade e à fauna brasileiras.

“Ou a sociedade brasileira se mobiliza contra essa farra do veneno ou viveremos, em poucos anos, um verdadeiro caos social e ambiental”, destaca Santiago.

Fonte: Sindiquímica-PR