Centrais sindicais voltam às ruas nesta quarta, por soberania, direitos e empregos

Para defender os trabalhadores, as trabalhadoras e toda a sociedade brasileira da política econômica neoliberal do governo de Jair Bolsonaro (PSL) que só retira direitos trabalhistas e coloca em risco o patrimônio público, ao vender as estatais a preço de banana para empresas estrangeiras, as centrais sindicais CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSB e Intersindical e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, convocaram o Ato em Defesa da Soberania, Direitos e Empregos, em Brasília, nesta quarta-feira, dia 30, a partir das 10h da manhã.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, ressalta que ir para as ruas, é defender o Brasil, a geração de emprego para mais de 30 milhões de trabalhadores e trabalhadoras desempregados e subempregados que querem empregos de qualidade. Ir para ruas é dar um basta nas políticas neoliberais.

De acordo com o presidente da CUT, para voltar a crescer, o Brasil precisa de investimento do setor público porque as multinacionais só investem em seus países de origem. “Todos os períodos de crescimento econômico que nós tivemos foi com intervenção do Estado, com investimento dos bancos públicos, em especial BNDES e das empresas estatais, como fez a Petrobras que ao decidir pela construção de plataformas no Brasil recuperou o setor naval brasileiro, gerando milhares de empregos”.

Para o dirigente, a política de privatização do ministro da Economia, o banqueiro, Paulo Guedes, de entregar o nosso minério e nossa água aos estrangeiros, será um caso de estudo porque o Brasil será a única Nação no mundo que entregou a suas riquezas para outro país sem nenhuma guerra.

“A política de Guedes compromete o futuro do Brasil. Por isso, todo mundo tem que ir para ir para rua, a dona de casa, os estudantes, os rurais e os indígenas contra a destruição do país”, diz.

“Quem é normal e não acredita que a terra é plana tem de ir pra rua no dia 30 e participar das mobilizações”

No ato estão previstas caravanas de outros estados e, principalmente de Goiás e do entorno de Brasília. São petroleiros, bancários, professores, metalúrgicos, urbanitários e trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, servidores públicos, terceirizados e de várias outras categorias profissionais, inclusive desempregados que vão ocupar a esplanada dos Ministérios.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (SINTECT/DF), Amanda Corsino, diz que a ideia de reunir pessoas desempregadas, familiares e amigos dos trabalhadores tem como intuito mostrar ao povo brasileiro que a venda das estatais não afeta somente uma categoria, mas toda a população que vai sofrer com  aumentos nos preços da água, luz, gás , gasolina e na piora do atendimento de empresas como os Correios.

“O trabalhador que não puder ir, avise a família e os amigos desempregados sobre a importância da participação deles. Precisamos de toda a população engajada. Estamos defendendo a soberania nacional e isto passa pela manutenção das empresas públicas. Este governo estagnou a economia, não gera emprego, nem renda e o problema não é só dos trabalhadores das estatais, é de todo brasileiro que vai pagar a conta”, afirma a dirigente, que também é secretária-Adjunta de Relações de Trabalho da CUT Nacional.

Os exemplos do Chile e da Argentina

Os últimos acontecimentos no Chile, em que a população foi para as ruas protestar contra a política econômica do governo daquele país, e a volta da esquerda à presidência da Argentina são um alerta para o povo brasileiro de que a política econômica neoliberal de Bolsonaro e Guedes não dá certo, avaliam Nobre e Corsino.

Os dirigentes reforçam que Paulo Guedes ajudou a implantar no Chile o sistema de capitalização da Previdência, acabou com direitos trabalhistas e enfraqueceu os sindicatos.

“O que está acontecendo no Chile é a revolta do povo contra a política econômica neoliberal, onde tudo é privatizado. Não tem ensino superior gratuito, não tem acesso à saúde gratuita. É a mesma política que Bolsonaro quer aqui, a que destrói os direitos sociais e previdenciários. O Brasil precisa acordar para não chegar a esse ponto”, afirma Corsino.

Já Sérgio Nobre acredita que tudo o que está acontecendo no Chile teve o dedo do ministro da Economia brasileiro, mas que, agora o povo quer outro rumo.

“O desespero é tanto que o presidente, Sebastián Piñera,  pediu desculpas para o povo porque o que foi feito de ruim, não pode se recuperar em dois, três anos. Não é isso que queremos. Não podemos permitir que está acontecendo no Chile aconteça com o Brasil. Ainda há tempo para mudar”, avalia o presidente da CUT.

Nobre , no entanto, elogia a eleição do novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, que, segundo ele, contou com apoio forte dos movimentos sociais e dos sindicatos argentinos.

“Os argentinos estão muito preocupados com o Brasil e não é à toa que o  discurso do presidente eleito sobre Lula foi o de exaltar que a maior liderança da América Latina, o embaixador do combate à fome e à assistência social é mantido no Brasil como preso político. E a prisão do Lula é outro debate que queremos fazer também nas ruas no dia 30”, diz Nobre.

Fonte: CUT