Irresponsabilidade da Prefeitura faz casos de Covid-19 dispararem em Curitiba

Após ter sido elogiada, inclusive pelo então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, pelos bons números no combate à pandemia da Covid-19, Curitiba está próxima do colapso de sua rede hospitalar devido à explosão de casos da doença. O que aconteceu de lá para cá?

Primeiro, há de se ressaltar que os bons números são alvo de controvérsia, pois Curitiba é a segunda capital brasileira com maior número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG, termo para infecção respiratória sem agente identificado) por caso de Covid-19 e o Paraná é um dos estados com pior índice de testes de Coronavírus por habitantes no Brasil. Até o momento, mais de metade dos testes efetuados na cidade deram positivo e, aliado à política de testar praticamente apenas as pessoas com sintomas graves (o que agora foi ligeiramente alterada para algum rastreamento de doentes), é um grande indicativo de grande subnotificação.

Na metade de maio, a cidade tinha 600 casos de Covid-19 e a ocupação das UTIs não chegava a 50%. No dia 22 de junho, eram 3.032 casos confirmados e 114 óbitos com taxa de ocupação das UTIs acima de 80%, com algumas unidades, como o Evangélico e o Hospital do Trabalhador com todas as vagas ocupadas. Este foi o dia da primeira morte de médico no Paraná de um médico que atendia casos da doença.

O grande “segredo” macabro que fez o número de casos triplicar está no relaxamento das medidas de isolamento social a partir de 20 de maio, quando foram autorizadas a reabertura de shoppings, restaurantes, tempos e academias. Foi a Prefeitura de Curitiba deixando de ouvir a Ciência e dando ouvido aos interesses econômicos patronais. Assim, para agradar quem financia campanhas eleitorais, colocou-se em jogo a vida dos cidadãos, especialmente os mais vulneráveis, que precisam trabalhar, enquanto terceiriza a culpa aos que não têm opção, principalmente pelo abandono do Governo Federal, a se arriscar em busca do sustento.

“Isso é consequência direta do relaxamento das medidas de distanciamento social. Se circularmos normalmente, teremos várias oportunidades ao longo dos dias de transmitir ou contrair o vírus”, explicou o infectologista e professor da Escola de Medicina da PUC-PR, Giovanni Breda, à BBC Brasil.

Fonte: Sindiquímica-PR