Falha de monitoramento de tendências na pandemia custará caro ao Brasil, diz professor da UFRGS

A falta de coordenação, em especial do Ministério da Saúde, e o não monitoramento dos chamados “eventos sentinela”, que mostram tendências de rumos da pandemia, devem custar caro ao Brasil. É o que afirma o Doutor em Saúde Coletiva, especialista em Medicina de Família e Comunidade e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alcides Miranda da Silva, em entrevista ao Democracia e Mundo do Trabalho em Debate.
O professor explicou que o a ineficiência da resposta brasileira à Covid-19 vem do desfinanciamento do SUS a partir de 2016 (e da EC 95).
Neste cenário, o Ministério da Saúde demorou para dar respostas, faltando coordenação, enquanto estados e municípios já estavam trabalhando. Quando começou a coordenar ações, o então ministro Luiz Henrique Mandetta entrou em rota de colisão com o presidente Jair Bolsonaro, negacionista da pandemia, e acabou sendo demitido.
Miranda da Silva concluiu que o atual ministro, Nelson Teich, está perdido ao tentar se equilibrar entre agradar ao presidente e seguir as regras da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O professor compreende que, pelas dimensões do país, os vários estados estarão em estágios diferentes da pandemia. No entanto, as secretarias estaduais monitoram apenas eventos críticos (infectados e óbitos) e não outros eventos, que permitiriam ações antecipadas.
“Eles não estão monitorando eventos sentinela, os que nos indicam tendências, mas apenas os eventos críticos. Para mim, essa é uma limitação importante, pela qual podemos pagar caro. Porque não vamos ter como nos preparar para intervir rapidamente em lugares onde a situação vai piorar e essas pioras vão se dar de uma forma muito diversa”, analisou.
No mesmo cenário, o médico percebe que há falta de ações do Governo Federal para mitigar ações para auxiliar pequenas empresas a manterem seus pagamentos e que o Auxílio Emergencial ainda é muito aquém do que poderia estar sendo feito no campo econômico. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, ataca com declarações os servidores públicos, que são a linha de frente no combate à pandemia. Todos os países estão fazendo isso, menos o Brasil.

Fonte: Sindiquímica-PR