Brasil perdeu mais de 173 mil pessoas em acidentes de trabalho em cinco décadas

Entre 1970 e 2018, foram registrados 42,7 milhões de acidentes de trabalho no Brasil, com 645 mil pessoas adoecendo e mais de 173 mortos (exatamente 173.326). Os dados são de um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes do Trabalho (Diesat) em um estudo apresentado recentemente.

O instituto afirma que, apesar de notificados, os dados apresentados são expressivos e classifica a situação como um “genocídio”.

“As condições de vida e saúde da classe trabalhadora se expressam não só pela segurança dos processos produtivos, com maquinário e organização no local de trabalho. Isso inclui ainda políticas de saúde, de assistência e de previdência social. Mas as recentes mudanças na legislação trabalhista indicam perdas de direitos”, afirma o Diesat no estudo.

A entidade explica que o desmonte dos direitos sociais por meio de informalidade e contratos intermitentes tem dificultado as notificações e caracterizações dos acidentes de trabalho, impedindo o acesso da classe trabalhadora à proteção social. Sem registros formais, os indicadores de saúde no trabalho ficam estatisticamente prejudicados.

Recentemente, na Medida Provisória 927/2020, o governo Bolsonaro tentou descaracterizar a Covid-19 como doença ocupacional. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou por inconstitucionalidade o artigo referente à doença.

Com a pandemia e a pouca proteção aos trabalhadores, junto à pressão do governo federal por abertura econômica, infelizmente será uma causa de morte ou afastamento (com risco de sequelas permanentes) que deverá ser expressiva nos próximos relatórios.

O dado oficial mais recente é de 2018, vindos do Anuário Estatístico da Previdência Social. Naquele ano foram registrados 360.320 acidentes de trabalho no país contra 341.700 de 2017. Os trabalhadores do sexo masculino são os mais vitimados pelos acidentes com 68% do total. O setor de serviços foi o mais afetado com 198.333 ocorrências.

Fonte: Sindiquímica-PR