Auxílio emergencial poderia ser embrião de uma política de renda mínima

Com a pandemia de Covid-19 se estendendo além do inicialmente imaginado, começam as movimentações para que o auxílio emergencial seja prorrogado.

Vozes do Governo Federal, que agiu a contragosto na concessão do benefício, falam em reduzir valor nas parcelas. A tendência é mais uma vez o Congresso se sobrepor e prorrogar com valor integral até o fim do ano.

“Precisamos sempre lembrar que o governo não queria dar o auxílio e até hoje faz corpo mole criando exigências absurdas. Foi uma vitória da oposição, sendo que o governo defendia um valor três vezes menor. Parece que não entenderam que é a pandemia que causa a crise e não o isolamento. O governo não pensa na vida do trabalhador”, afirmou o diretor do Sindiquímica Gerson Luiz Castellano.

E por que não usar a atual situação para a implantação de uma política de renda mínima permanente? Setores ligados aos trabalhadores, como a CUT, defendem a implantação deste mecanismo de proteção social financiado pelo Imposto Sobre Grandes Riquezas, previsto na Constituição de 1988, mas nunca implantado. Um projeto foi enviado ao Congresso Nacional.

“O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e não taxa grandes riquezas. Estamos diante de uma janela de oportunidade para corrigir este problema e ao mesmo tempo garantir uma renda mínima permanente para todos os brasileiros, o que é bom para a economia”, analisou o diretor do Sindiquímica-PR Ademir Jacinto da Silva.

Alguns países do mundo já testaram a renda básica e os resultados mostram que não há acomodação por parte dos beneficiários, o que derruba o principal argumento dos opositores. “Por si só a renda básica não resolve o problema do desemprego, mas melhora muito a saúde mental de quem recebe, disseram os estudos. Isso impacta positivamente no sistema de saúde e na vida da comunidade”, explicou Castellano.

 

Fonte: Sindiquímica-PR