Saiba como o desmonte da Petrobrás afeta a saúde e a segurança dos petroquímicos

O debate realizado durante a última reunião da Comissão de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da Petrobrás, realizada no dia 5 de julho, evidenciou os reflexos da política aplicada pela gestão da empresa sobre a saúde e segurança dos trabalhadores.

Com a intensificação dos desmontes da companhia, representantes sindicais dos petroquímicos e dos petroleiros têm relatado o agravamento de uma política de gestão que coloca em risco a vida dos trabalhadores.

A adoção de uma política de subnotificação de ocorrências graves, como riscos ambientais e relatos de diagnósticos de doenças ocupacionais causadas pela exposição ao benzeno, dificulta a busca por solução dos problemas. Os perigos ao qual a categoria está submetida também não vêm sendo especificados no Grupo Homogêneo de Exposição (GHE) e no Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP).

A negligência é acentuada pelo descaso com as Comissões Locais de SMS e as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs), que vêm sendo excluídas de diálogos importantes e vítimas de tentativas de enfraquecimento e desarticulação pelos dirigentes da empresa.

Para o diretor do Sindiquímica-PR, Sérgio Luiz Monteiro, o panorama ilustra claramente qual é a lógica do projeto de sucateamento da Petrobrás. “Uma das estratégias é enfraquecer todos que trabalham na Petrobrás até o limite, para que possam forçar a demonstração de ineficiência do sistema. Eles não se importam com o preço dessa política, mesmo que custe a saúde física e mental dos trabalhadores”, comenta.

A priorização de estruturas de apoio às vítimas dentro das unidades de operação tem sido substituída pelo incentivo ao Sistema de Consequências, que, na prática, aplica sanções administrativas para quem sofre acidentes de trabalho no âmbito do sistema e deixa de responsabilizar os gestores.

A nova norma é o descumprimento às Normas

Os gestores também têm implantado uma cultura de desrespeito às Normas Regulamentadoras (NRs) 10, 13 e 20, entre outras, cruciais para a preservação da saúde da categoria. Essas normas tratam de condições mínimas de segurança para a operação de máquinas, equipamentos, sistemas elétricos e substâncias inflamáveis. Todas estão sendo constantemente ignoradas.

Trabalhadores com pouco tempo no exercício de suas funções — e em sua maioria jovens — estão assumindo funções sem o treinamento básico adequado. Como se não bastasse, os técnicos de segurança, que deveriam receber as qualificações necessárias para prestar os primeiros socorros em caso de acidente nesses setores, também não estão sendo treinados para atuarem nas viaturas de emergência.

Monteiro reforça que a situação é grave e requer atenção de todos os petroquímicos. “Esses desmontes no campo da segurança laboral estão incluídos em nossa frente de luta e também serão um ponto de reivindicação na nossa greve, que já está deliberada. Pedimos que todas as investidas contra a categoria sejam denunciadas imediatamente ao Sindiquímica-PR. Não podemos permitir que coloquem em risco a vida dos trabalhadores!”, defende.

Fonte: Sindiquímica-PR