Redução de efetivos coloca em risco a vida de trabalhadores

A redução de efetivos voltou a ser debatida devido aos recentes acidentes e às mortes de funcionários de refinarias de petróleo da Petrobrás. Essa redução tem relação direta com o Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), implementado em abril de 2016 pela companhia, que prevê a demissão de milhares de trabalhadores do Sistema Petrobrás.

O número de profissionais feridos e de mortes tem aumentado, segundo informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), e a precarização das condições de trabalho está relacionada ao desmonte que a Petrobrás vem sofrendo em função do pacote de privatizações, que implica a redução de custos com funcionários, a flexibilização e o corte de direitos.

As consequências do PIDV já podem ser sentidas em algumas unidades, em junho deste ano, em Duque de Caxias (RJ), um incêndio em uma das unidades da refinaria Reduc, a U-2700, por pouco não teve consequências desastrosas. Os operadores tiveram que usar todo o contingente da unidade para apagar o fogo. Se o efetivo, que já opera no limite, estivesse ainda menor, como deseja a gestão de Pedro Parente, o incêndio seria muito maior.

Entretanto a discussão sobre efetivos reduzidos em algumas categorias é anterior à situação de alerta dos petroleiros. Há mais de dez anos, de acordo com o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, o sindicato denuncia e discute o tema junto ao Ministério Público Federal. “No ano passado, o MPF ajuizou uma ação civil pública, que terá uma audiência de conciliação para tentar resolver na Justiça a questão do quadro mínimo”, explica. Para Monteiro, os maiores prejuízos de se operar com efetivos diminutos são riscos de acidentes e contaminação, tanto para os trabalhadores como para as comunidades vizinhas às fábricas, o que vem ocorrendo com refinarias da Petrobrás.          

PIDV e a defesa dos trabalhadores da Petrobrás

O MPF e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) possuem regras claras sobre a quantidade de trabalhadores para as instalações das unidades de produção, terminais e refinarias, que garantem a segurança das equipes. Com a redução dos efetivos, decorrente da saída em massa de profissionais que aderiram ao PIDV, o Sistema de Gerenciamento de Segurança Operacional (SGSO), implementado pela ANP em 2007, tem sido continuamente violado pelos gestores da Petrobrás, o que coloca em risco iminente e diário a integridade física e a vida dos empregados.

Fonte: Sindiquímica-PR