Redução da jornada de trabalho: por que Temer e os patrões são contra?

“Oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de descanso”. Esse era o lema dos operários ingleses em meados do século XIX, quando lutavam pela redução da jornada de trabalho no país. Nessa época, os países europeus viviam os primeiros resultados da Revolução Industrial: desenvolvimento tecnológico e econômico de um lado, uma epidemia de pobreza e degradação do outro.

Depois de muita luta, os trabalhadores conquistaram o direito de trabalhar oito horas por dia. O que hoje pode até ser considerado “natural” é, na verdade, resultado de muita mobilização. Antes dessa jornada se tornar realidade, homens, mulheres e crianças eram praticamente trancafiados por até 18 horas diárias em fábricas.

Mas o que esse cenário tem a ver com o ano de 2018?

De lá para cá, muita coisa mudou: os trabalhadores começaram a se organizar em sindicatos, grandes movimentos reivindicatórios ganharam força e, aos poucos, essa mobilização foi se revertendo em direitos para a classe trabalhadora. Essas transformações, no entanto, não alteraram a essência das relações trabalhistas, que seguem marcadas por interesses muito diferentes.

Para o trabalhador, vender a força de trabalho é o único meio para conseguir sobreviver. Já para o empregador, comprar a força de trabalho pelo menor preço e pelo maior tempo possível é sinônimo de lucro e poder. Mesmo que as elites digam que não, que empregados e patrões caminham de mãos dadas, essa regra continua válida para as relações trabalhistas.

Por isso, a luta pela redução da jornada de trabalho é, na verdade, a luta contra a exploração dos trabalhadores. E foi justamente por isso que a Reforma Trabalhista do governo golpista de Michel Temer autorizou a possibilidade de negociação de jornadas de trabalho de até 12 horas diárias.

Ela já era praticada em algumas categorias, principalmente aquelas ligadas ao ramo da saúde. No entanto, expandir essa realidade para todos os trabalhadores é ignorar as particularidades de cada atividade. Para os petroleiros e petroquímicos, por exemplo, uma jornada de 12 horas diárias seria um grande retrocesso na qualidade de vida.

Na prática, a nova legislação transformou a saúde física e mental e a segurança dos trabalhadores em pontos de negociação, comprovando que, para esse governo ilegítimo, a prioridade é favorecer o lucro dos grandes empresários. Diante de tantos desmandos, não é exagero dizer que, com a Reforma Trabalhista, o governo Temer fez uma reivindicação do século XIX se tornar atual em 2018.

O diretor do Sindiquímica Sérgio Luiz Monteiro ressalta que o golpismo está conduzindo o Brasil para o colapso dos direitos trabalhistas. Por isso, ele destaca que lutar pela redução da jornada de trabalho e pela revogação da Reforma Trabalhista significa ajudar a criar um país menos desigual.

“Nos últimos governos, várias categorias conseguiram a redução de suas jornadas, cenário que melhorou a qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias. Esses avanços estão sendo destruídos pelo governo golpista de Michel Temer, que em apenas dois anos fez o Brasil retroceder décadas”, critica.

Fonte: Sindiquímica-PR