Proposta de venda da Fafen-PR vai na contramão do desenvolvimento do país

Entre as consequências do golpe de 2016 no Brasil, uma das mais devastadoras é o desmonte do Sistema Petrobrás, que ganhou um novo capítulo no dia 11 de setembro de 2017: o anúncio do processo de venda da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR).

Em conjunto com a Unidade de Fertilizantes-III (UFN-III), a Fafen-PR está sendo praticamente doada a uma empresa russa. O processo faz parte da saída da Petrobrás da área de nitrogenados, cedendo o setor ao capital financeiro internacional. O projeto de privatização da estatal inclui também leilões de diversas refinarias, terminais aquaviários e dutos da Transpetro.

Para tentar vender ativos da Petrobrás a preço de banana, o presidente ilegítimo, Michel Temer, e Pedro Parente – finalmente demitido após a paralisação dos caminhoneiros – sempre alegaram que, com a privatização da Petrobrás e a saída da empresa de áreas estratégicas, a dívida pública do Brasil será reduzida, bem como os prejuízos que as empresas estatais supostamente geram para o Brasil. Pura mentira.

A venda da Fafen-PR integra o projeto entreguista de Michel Temer, que quer fazer do Brasil um país cada vez mais submisso ao capital financeiro e dependente de importações.

A “doação” da Fafen-PR

A Fafen-PR foi inaugurada em 1982 e, nos anos 1990, foi vendida por um preço muito baixo para um grupo econômico composto pela Bunge e pela Cargill. Durante 20 anos, a unidade recebeu poucos investimentos e serviu unicamente aos interesses econômicos dessas multinacionais.

A situação se reverteu em 2013, no governo de Dilma Rousseff, quando a Fafen-PR se tornou uma subsidiária integral da Petrobrás. Atualmente, a fábrica tem capacidade de produzir, a partir do resíduo asfáltico, mais de 1.300 toneladas de amônia e cerca de 2 mil toneladas de ureia diariamente. Os produtos são utilizados pelas indústrias químicas e de fertilizantes.

Além de ser uma das mais importantes do país em produção de fertilizantes, a unidade se destaca pela fabricação do Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla-32), composto químico utilizado para reduzir a emissão de gases poluentes em caminhões, obrigatório segundo a legislação. Até 2016, a Fafen-PR era responsável por 62% da produção do Arla-32 no Brasil.

Toda essa produção é fundamental para o Brasil, um dos líderes de exportação de commodities agrícolas e, consequentemente, grande consumidor de fertilizantes. Na contramão da necessidade do país e aliado aos interesses do capital financeiro internacional, o governo Temer força a Petrobrás a sair desse setor em expansão, o que pode levar o Brasil a se tornar totalmente dependente da importação de fertilizantes nitrogenados.

Além das consequências na cadeia produtiva do país, a venda da Fafen-PR atingiria também a qualidade de vida dos trabalhadores da unidade. Isso porque, historicamente, o processo de privatização vem acompanhado de redução de salários, perda de direitos e ondas de demissão.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Gerson Luiz Castellano, a greve nacional dos petroleiros e petroquímicos, aprovada por mais de 90% da categoria, será fundamental para fortalecer a resistência à privatização.

“A mobilização da categoria nunca foi tão necessária. Estamos diante do maior ataque que o Sistema Petrobrás já sofreu na história do país. Com uma mobilização forte, é possível barrar a entrega de nossas riquezas para o capital financeiro e, com isso, retomar um projeto de desenvolvimento que valorize o interesse coletivo e a soberania do Brasil”, defende.

Fonte: Sindiquímica-PR