Os desafios das trabalhadoras petroquímicas em uma categoria hegemonicamente masculina

Por muito tempo, a cultura machista forçou a mulher a permanecer nos espaços privados, restrita aos cuidados da casa e dos filhos. Aquelas que ousavam romper essas barreiras sofriam com uma grande carga de preconceito.

Já nos últimos anos, a mulher conquistou seu lugar no mercado de trabalho, ocupou espaços de decisão, adentrou a política e ganhou voz. Ainda há um longo caminho a ser percorrido em direção à igualdade de gênero, mas a sociedade de hoje é, sem dúvidas, bem mais esclarecida que a do século XX.

Apesar dos avanços, a presença feminina em alguns espaços historicamente ocupados por homens ainda causa estranhamento. A categoria dos petroquímicos, hegemonicamente masculina, não foge a essa tendência.

Isso se explica porque o mercado de trabalho sempre reservou às mulheres profissões mais relacionadas ao cuidado, como se fosse um prolongamento do papel que elas desempenham na esfera privada da vida. Ao alargar esses horizontes, elas conquistaram independência e autonomia, mas também passaram a enfrentar situações constrangedoras.

Segundo Lilyan de Oliveira Lima, que trabalha na análise de qualidade e controle de operação do laboratório da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR), a área dificilmente contrata mulheres para atuarem como petroquímicas e conta que, mesmo sutil, o machismo se faz presente no ambiente de trabalho.

“Ainda tem um certo preconceito. Acham que as mulheres não conseguem carregar um cilindro ou que não temos a agilidade dos homens. Tem esses pequenos detalhes”, revela.

Quando indagada sobre a ocorrência de assédios de natureza machista no ambiente de trabalho, Lilyan disse que nunca se acuou. “Isso não chegou a ocorrer porque, quando me senti ameaçada, sempre coloquei minhas opiniões e bati de frente”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR