Oito em cada dez greves de 2017 foram por manutenção de direitos

A herança do governo de Temer para o Brasil é de retirada de direitos, mas também de resistência. Depois de conviver durante anos com a estabilidade das garantias trabalhistas e a valorização do salário mínimo, os trabalhadores voltaram a se mobilizar pela manutenção dos direitos que lutaram tanto para conquistar.

Assim que o golpista Michel Temer assumiu a Presidência da República em 2016, o desrespeito à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o descumprimento de convenções e acordos coletivos de trabalho e a luta pela manutenção de direitos passaram a ser as principais motivações das paralisações de trabalhadores.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 81% das greves de 2017 tiveram caráter defensivo, ou seja, tinham o objetivo de manter direitos. Para se ter uma ideia, a média de paralisações motivadas por atraso no pagamento de salários ou irregularidades em relação a férias, 13º salário e benefícios subiu de 20% em 2013 para 44% em 2017.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, essa realidade é o retrato do descaso do governo Temer com a dignidade dos trabalhadores. “O Brasil mergulhou em uma onda de retrocessos. Se antes os brasileiros tinham a garantia de que seus direitos seriam respeitados, hoje eles precisam lutar muito para ter o mínimo. O legado de Temer para o Brasil é uma verdadeira destruição da qualidade de vida”, critica.

Grandes paralisações

Ainda de acordo com o Dieese, 2017 foi marcado por greves realizadas em empresas ou unidades, somando um total de 59%. As paralisações de categorias profissionais representaram 41% do total de mobilizações.

Os destaques do ano, no entanto, foram as paralisações nacionais contra as Reformas Trabalhista e Previdenciária. Duas greves gerais – nos dias 15 de março e 28 de abril – e um dia de protestos em 30 de junho pararam o país com o objetivo de pressionar o governo ilegítimo de Michel Temer a suspender as reformas.

Monteiro lembra que a pressão política exercida pelas greves gerais foi central para que parlamentares desistissem de votar a Reforma da Previdência antes das eleições. “Mais de 40 milhões de brasileiros cruzaram os braços e mandaram um recado claro para Temer: nós não aceitamos as mudanças nas regras da Previdência Social. Essa é a prova que somente a mobilização da classe trabalhadora poderá barrar o retrocesso proposto pelos poderosos”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR