O Brasil e a produção de fertilizantes: retrocesso à vista

Desde que assumiu a Presidência por meio de um golpe institucional, Michel Temer vem aniquilando os direitos sociais dos brasileiros e acabando com a soberania nacional do país. De todos os retrocessos representados por esse governo ilegítimo, a privatização do Sistema Petrobrás é um dos que mais afetaria o desenvolvimento do Brasil.

O governo Temer trabalha para favorecer o mercado financeiro, mesmo que para isso seja necessário se desfazer do patrimônio dos brasileiros. Um dos capítulos mais preocupantes dessa política entreguista é a proposta de saída da Petrobrás do ramo de fertilizantes.

De costas para o Brasil

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, atrás apenas da China, da Índia e dos Estados Unidos. Por ter a agricultura como uma das principais atividades econômicas, o país necessita desses produtos para fazer girar sua cadeia produtiva. Essa questão, no entanto, não é importante para o governo Temer, que propôs a saída da estatal da produção de fertilizantes.

Ao optar por esse caminho, Temer tenta interromper a trajetória da Petrobrás em um setor estratégico que está em pleno crescimento. Nos governos Lula e Dilma, o Plano Nacional de Fertilizantes estimulou a sua produção, contribuindo para a soberania do país. Caso a Petrobrás saia do ramo, a principal consequência à economia local será o aumento da dependência de importações desses produtos.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, a decisão vai na contramão do desenvolvimento do país. “A proposta de venda de várias fábricas de fertilizantes é um retrocesso. Se a Petrobrás sair do ramo, o Brasil ficará cada vez mais dependente de multinacionais, que priorizam a lógica de mercado, e não os interesses nacionais”, denuncia.

“Doação” das fábricas

A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) foi uma das unidades colocadas à venda pela gestão entreguista de Pedro Parente, demitido após a paralisação dos caminhoneiros. Subsidiária integral da Petrobrás desde 2013, ela tem capacidade de produzir mais de 1.300 toneladas de amônia e cerca de 2 mil toneladas de ureia diariamente. Os produtos são amplamente utilizados nas indústrias químicas e de fertilizantes.

Além disso, a unidade é uma das maiores responsáveis pela produção do Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla-32), composto de uso obrigatório que reduz a emissão de gases poluentes em caminhões. Apesar dessa importância, o governo ilegítimo de Michel Temer está praticamente doando a Fafen-PR e a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) a uma empresa russa.

Segundo Monteiro, a mobilização dos petroleiros e petroquímicos é fundamental para denunciar os retrocessos dessa decisão. “As categorias seriam diretamente atingidas por essa decisão, que iria provocar uma onda de demissões. Mas os retrocessos vão além: a entrega das fábricas afeta a soberania nacional e aprofunda um projeto de país submisso ao capital financeiro”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR