Número de bilionários cresce e aumenta desigualdade entre ricos e pobres no Brasil

O ano passado foi de fortuna para muita gente: um novo bilionário surgiu a cada dois dias, alcançando o número de 2.043 bilionários em todo o mundo.

Em 2017, 82% de toda a riqueza produzida foi parar nas contas de 1% dos mais ricos ao redor do globo. Os dados são do relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, divulgado pela Organização Não Governamental (ONG) britânica Oxfam, no dia 22 de janeiro.

As informações revelam o aumento da concentração de renda em escala global. Quase nada ficou com os 50% mais pobres do mundo, o que corresponde a 3,7 bilhões de pessoas. A riqueza dos bilionários cresceu 13% ao ano, em média, de 2010 a 2017, o equivalente a seis vezes mais do que foi pago em salários aos trabalhadores, que tiveram apenas 2% de aumento por ano, na média, no período correspondente.

Em vez de diminuir as desigualdades, os ricos ficaram ainda mais ricos.

Situação brasileira

O Brasil viu despontar 12 novos bilionários, saltando de 31 para 43, em um ano. Juntos, eles concentraram R$ 549 bilhões só no ano passado, um crescimento de 13% no comparativo com 2016.

O mais absurdo é que cinco desses bilionários acumulam o patrimônio equivalente ao da metade da população brasileira. Cinco pessoas possuem a mesma riqueza que outras 100 milhões de pessoas juntas.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Gerson Luiz Castellano, a situação no Brasil de Michel Temer é ainda pior porque os direitos dos trabalhadores estão sendo destruídos. “O governo de Michel Temer contribuiu muito para este cenário de aumento da concentração de renda e da desigualdade, em decorrência da Reforma Trabalhista, um ataque direto aos trabalhadores, reduzindo salários e direitos”, afirma.

De onde vem e para onde vai tanto dinheiro?

Grande parte da riqueza não é fruto de trabalho, mas de herança: cerca de um terço da fortuna dos bilionários pode ser atribuída a sua família. A projeção da Oxfam é de que as 500 pessoas mais ricas do mundo vão destinar mais de US$ 2 trilhões para seus herdeiros, nos próximos 20 anos.

De acordo com a ONG britânica, em muitos casos, o dinheiro é obtido por meio de evasão fiscal. O relatório indica ainda que os ultrarricos ocultam pelo menos US$ 7,6 trilhões de órgãos fiscais, com esquemas de paraísos fiscais, por exemplo.

Fonte: Sindiquímica-PR