Greves de 2018 foram motivadas pela retirada de direitos

Foi-se o tempo em que os trabalhadores brasileiros se mobilizavam só por avanços e direitos. Em poucos anos, a esperança de continuar na trajetória de crescimento e conquistas deu lugar ao medo de perder as garantias trabalhistas mais básicas. Esse é o retrato do Brasil depois do governo ilegítimo de Michel Temer e, agora, com a extrema-direita de Bolsonaro.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o país registrou 1.453 greves em 2018, sendo 655 no setor privado, 718 no funcionalismo público e 73 nas estatais. O número é parecido com o de 2013, que teve 1.568 greves, mas chama a atenção a mudança no teor da pauta de reivindicações dos trabalhadores.

No ano passado, as demandas tinham um caráter mais defensivo. Em outras palavras, em vez de lutar por avanços, as categorias se viram obrigadas a defender os direitos que já haviam conquistado.

Retrocessos

Apesar de ser trágico, esse cenário não é uma surpresa: a mudança no caráter das reivindicações é um reflexo direto da aprovação da Reforma Trabalhista e da Lei das Terceirizações.

Fortemente apoiadas pelo empresariado brasileiro, as duas medidas alteraram profundamente a legislação trabalhista do Brasil, abrindo brechas para uma exploração ainda maior dos trabalhadores.

Com base nos dados do Dieese, tudo indica que os empregadores iniciaram a ofensiva sobre os direitos trabalhistas já em 2018, levando os trabalhadores a se mobilizarem para evitar os retrocessos gerados pelas mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Pontos que anteriormente não era objeto de negociação, como a duração do intervalo intrajornada e o parcelamento das férias, agora são praticamente impostos aos trabalhadores.

Além disso, está provado que o discurso de que a Reforma Trabalhista criaria empregos não passou de uma mentira. A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,7% no trimestre encerrado em março, atingindo 13,4 milhões de brasileiros.

Já o número de subutilizados – aqueles precariamente empregados que gostariam de trabalhar mais – atingiu o recorde de 28,3 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o diretor do Sindiquímica-PR Santiago da Silva Santos, a Reforma Trabalhista só serviu para aumentar os lucros dos patrões. “Os direitos trabalhistas, a valorização do salário e a qualidade de vida dos trabalhadores estão sendo destruídos pelo Governo Federal. A mobilização é a única maneira de retomar a dignidade dos brasileiros”, defende.

Fonte: Sindiquímica-PR