Governo Temer quer privatizar a Repar e a Transpetro Sul

Nesta quinta-feira (19), a diretoria da Petrobrás comunicou aos trabalhadores a venda de parte da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada em Araucária, e outras unidades. Segundo o anúncio, veiculado por meio do Portal Petrobrás, o acordo simboliza a privatização de 60% da Repar e de outras três refinarias de petróleo: Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul; Refinaria Abreu e Lima ou Refinaria do Nordeste (RNEST), em Pernambuco; e Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.

A operação não se limitará às refinarias e deverá abranger também os dutos e terminais da Repar, que são fundamentais na cadeia produtiva do refino brasileiro. Por sua importância, essas estruturas são chamadas de ativos logísticos.

A infraestrutura logística que faz parte do pacote está sob responsabilidade da Petrobrás Transporte S/A (Transpetro), maior órgão de processamento de gás natural no Brasil, indicando o tamanho colossal da ação. Na prática, esse trecho do acordo simboliza a venda de 12 terminais (sete deles na região sul do país) e 24 dutos (nove no sul).

É hora de resistir

Para o diretor do Sindiquímica-PR Gerson Luiz Castellano, o governo Temer quer liquidar a maior quantidade de ativos da Petrobrás que conseguir até o final de seu mandato, que se encerra em dezembro deste ano. “A situação só mostra que esse é um processo de privatização que irá se estender e piorar. Nessa operação, a Petrobrás abre mão de parte majoritária dessas refinarias, podendo ficar somente com os ônus da administração”, alerta.

O projeto de privatização apresentado pela empresa é considerado um modelo preliminar, ou seja, algo que ainda não está completamente fechado e decidido. No entanto, a expectativa dos executivos da estatal é aprovar a operação em até três semanas.

Castellano afirma que haverá forte resistência do Sindiquímica-PR e dos outros sindicatos da categoria em todo o país, assim como tem sido contra a proposta de venda da Fafen-PR e de outras unidades. “Estamos nos preparando e nos organizando para convocar os trabalhadores e impedir a privatização”.

Ainda de acordo com ele, uma assembleia da categoria será convocada para o dia 4 de maio, com o intuito de organizar uma possível greve geral no segmento.

As refinarias que estão à venda são responsáveis por cerca de 37% da capacidade de destilação de petróleo no Brasil atualmente.

Fonte: Sindiquímica-PR