Excesso de trabalho ainda pode te matar

Trabalhar somente 8 horas diárias é, para muitos, uma realidade que ainda está longe de ser alcançada. Várias empresas exigem que o funcionário faça horas extras, fazendo com que o Brasil fique entre os primeiros colocados do mundo na média de horas semanais trabalhadas.

De acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o México é o país com maior média semanal de trabalho. Em 2014, foram 42,85 horas semanais por trabalhador.

Apesar de não fazer parte da OCDE, em termos comparativos, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2014 colocam o Brasil na quarta posição do ranking, com uma média de 40,2 horas semanais trabalhadas.

Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é permitido até 44 horas semanais de trabalho, sendo 8 horas diárias de segunda a sexta, e mais 4 horas no sábado. Para os petroquímicos, o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) estabelece diferentes cargas horárias, sendo de 40, 36 e 30 horas semanais ou 33 horas e 30 minutos.

Vendo assim, parece que a categoria está muito à frente dos demais trabalhadores. O que ocorre, na maioria das vezes, é que grande parte dos funcionários também realiza as desgastantes horas extras, aumentando – e muito – a carga horária semanal.

“Com o baixo efetivo de trabalhadores, a empresa exige o cumprimento de horas extras com frequência. Isso gera um aumento expressivo na carga horária semanal de muitos trabalhadores e consequências para a saúde”, comenta o diretor do Sindiquímica Sérgio Luiz Monteiro.

Consequências

No Japão, mortes por excesso de trabalho fazem a mesma quantidade de vítimas que o trânsito. São 10 mil casos de morte por excesso de trabalho ao ano. Fatalidades como essas, porém, não se restringem a essa potência mundial.

Outros países como Índia, Coréia do Norte e China já têm registrado aumento de mortes em razão do excesso de trabalho.

Trabalhar demais pode matar, sim. Não pelo estresse ou pela falta de sono, mas pelas consequências que esses problemas podem trazer. Dormir pouco, por exemplo, aumenta o risco de doenças cardíacas, distúrbios do sistema imunológico, diabetes e pode até ser a causa de algum tipo de câncer.

Já o estresse causa maus hábitos nas pessoas, como fumar, beber, não praticar exercícios físicos e ter uma má alimentação.

Com excesso de trabalho, descansar e dormir fica em segundo plano, enquanto o estresse só tende a aumentar.

“Cargas horárias elevadas de trabalho geram cansaço físico e mental no trabalhador que, aos poucos, causam o adoecimento do trabalhador. O excesso de trabalho é cada vez mais comum, assim como as mortes a ele relacionadas”, explica o diretor do Sindiquímica Gerson Luiz Castellano.

“Para evitar que o seu trabalho te mate, é necessário colocar o pé no freio e não deixar que a empresa te explore. Nem sempre o ganho imediato vale a pena, principalmente quando a sua saúde está sendo colocada em risco”, aconselha Castellano.

Fonte: Sindiquímica-PR