Enquanto países revertem privatizações, Temer fortalece o entreguismo

O Governo Temer representa o atraso. De costas para o povo, o presidente ilegítimo e golpista aprofunda políticas neoliberais em nome dos interesses do capital financeiro internacional. O apreço de sua equipe econômica pelas palavras “modernização” e “flexibilização” omite uma realidade gritante: a privatização de serviços essenciais piora a qualidade de vida da população e favorece apenas uma pequena elite econômica.

Não é preciso ser vidente para prever o resultado disso, é possível aprender com experiências de outras localidades. Diversos países e metrópoles que privatizaram serviços como água e saneamento nos últimos anos estão insatisfeitos.

Pesquisas de opinião realizadas em Berlim, Paris, Budapeste e Buenos Aires, por exemplo, indicam que seus habitantes estão descontentes com a política privada, já que ficaram reféns de serviços inflacionados e ineficientes. No Reino Unido, 83% da população é favorável à nacionalização da água e 77% desejam o fim da influência privada na eletricidade e no gás.

No Brasil, contudo, caminhar na contramão parece ter se tornado a regra. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem incentivando a participação do setor privado nos sistemas de água e saneamento. Ainda no final de 2016, o BNDES lançou um edital de concessão de serviços e criação de parcerias público-privadas.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, o descontentamento com a privatização ao redor do mundo não surpreende. “A prioridade da iniciativa privada não é a soberania nacional, muito menos o bem-estar da população, mas sim o lucro em curto prazo. Uma vez no comando de setores essenciais para a população, como água e combustível, o mercado vai atender somente aos seus interesses”, afirma.

Caminho inverso

É impossível explicar porque o Brasil está no caminho inverso sem abordar os impactos do golpe de 2016 para a política nacional. Com a entrada de Temer na presidência, as prioridades do Estado brasileiro se transformaram drasticamente. As diretrizes neoliberais passaram a ditar o futuro do país.

O congelamento de investimentos sociais, o desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a tentativa de afastar a população de uma aposentadoria digna e a onda de privatizações não são elementos isolados.  Essas mudanças fazem parte de um projeto de país submisso e empobrecido – um verdadeiro “quintal” da elite econômica.

A privatização do Sistema Petrobrás, processo que escancara a política entreguista do Governo Temer, também é peça-chave dessa reorientação político-econômica do país. Desde que atrelou a variação dos combustíveis à cotação internacional – ferindo frontalmente a soberania nacional –, o diesel e a gasolina subiram cerca de 60%.

A saída da empresa do ramo de fertilizantes nitrogenados é outro capítulo importante desse processo. A concessão da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) e outras unidades a uma empresa russa pode levar o Brasil, um dos líderes em exportação de commodities agrícolas, a se tornar totalmente dependente da importação de fertilizantes.

Além disso, a unidade se destaca pela produção do Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla-32), composto químico de uso obrigatório em caminhões para reduzir a emissão de gases poluentes. Até 2016, a Fafen-PR produzia 62% de todo o Arla-32 do Brasil. Em um país com extensa malha rodoviária como o nosso, interferir na produção desse composto pode afetar diretamente a cadeia produtiva.

“Precisamos defender o que é nosso.  É importante aprender com as péssimas experiências da privatização em outros países, não precisamos cair no mesmo erro. Com muita mobilização, poderemos retomar um projeto de desenvolvimento alinhado ao interesse nacional, e não ao de meia dúzia de capitalistas”, defende Monteiro.

Fonte: Sindiquímica-PR