Cresce número de brasileiros que se declaram negros

Apesar do racismo que castiga o Brasil – onde até o presidente faz diversas declarações que atacam a dignidade da população negra –, o número de brasileiros que se declaram negros manteve a trajetória de crescimento.

A Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou que, em 2018, 43,1% dos brasileiros se consideravam brancos, 46,5% pardos e 9,3% negros. Em outras palavras, 19,2 milhões de pessoas se declararam negras no ano passado.

Em comparação com os anos anteriores, a autodeclaração negra vem se confirmando como uma tendência. Os números de 2018 são 32,2% maiores que os de 2012.

Em caminho contrário, a parcela da população que se declara branca vem diminuindo a cada ano. Em 2012, eram 92,2 milhões de pessoas e, em 2018, o número caiu para 89,7 milhões.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Santiago da Silva Santos, os números revelam o sucesso das políticas afirmativas relacionadas à questão racial. “Nos últimos anos, o Brasil desenvolveu diversas iniciativas de reparação histórica, como as cotas raciais, que garantiram uma série de direitos à população negra do Brasil. Infelizmente, esses avanços estão na mira o governo Bolsonaro. É preciso resistir”, defende.

Desigualdade

Ainda que frases como “o racismo não existe” ou “a discriminação está na cabeça das pessoas” sejam comuns nas conversas cotidianas, sabe-se que ser negro no Brasil nunca foi tarefa fácil. Essa parcela da população sempre esteve exposta tanto ao preconceito do cotidiano como ao racismo estrutural do Estado.

Só para citar as desigualdades raciais no mercado de trabalho, o IBGE identificou que os trabalhadores negros ganham cerca de R$ 1,2 mil a menos que os brancos em média. A disparidade persiste também se forem analisados os salários dos brasileiros graduados. Ainda de acordo com o IBGE, os brancos com faculdade recebem 47% mais que os negros com a mesma qualificação.

“O primeiro passo para enfrentar o racismo é reconhecer que ele existe e identificar em que aspectos ele afeta os negros. Desenvolver políticas para combater a discriminação racial, inclusive no mercado de trabalho, deve ser uma prioridade para os mais diversos setores do Brasil”, defende Santiago.

Fonte: Sindiquímica-PR