Com Bolsonaro, Brasil deve consumir ainda mais agrotóxicos

O Brasil tem pouco de que se orgulhar quando o assunto é a qualidade dos alimentos produzidos aqui. Em 2018, o país completou dez anos na liderança do ranking das nações que mais consomem agrotóxicos no planeta. Cada brasileiro ingere 7,3 litros de veneno por ano. Em 2017, foram 11 registros de intoxicação por dia.

Essa posição vergonhosa, que cobra um preço alto da saúde da população e do meio ambiente, parece não interferir nos planos econômicos do agronegócio. Nos últimos anos, representantes do setor no Congresso Nacional – que formam a conhecida bancada ruralista – vêm atuando para flexibilizar o uso de agrotóxicos no Brasil e levar ainda mais veneno para mesa dos brasileiros.

No governo de Michel Temer, deputados “ressuscitaram” o Projeto de Lei (PL) 6299/02 na Câmara Federal. Conhecido como “PL do Veneno”, o texto visa a facilitar a liberação do uso de agrotóxicos no Brasil. O projeto foi aprovado em uma Comissão Especial destinada a avaliá-lo e está pronto para ser apreciado no plenário da Câmara.

O cenário está ainda pior no governo de Jair Bolsonaro (PSL). O presidente nomeou a ex-deputada Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Antiga defensora do agronegócio, Tereza lidera a Frente Parlamentar Agropecuária e foi reconhecida pela sua ferrenha atuação favorável à aprovação do PL do Veneno.

A atuação da ministra em favor dos desmandos do agronegócio não parou por aí. Ela foi relatora da Medida Provisória (MP) que criou o Refis da Funrural, um esquema de perdão de dívidas milionárias dos fazendeiros do Brasil com o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que custeia benefícios como o seguro-desemprego. A MP foi aprovada em 2018.

Resistência

Bolsonaro se elegeu com apoio declarado da bancada ruralista. Essa “parceria” certamente afetará a saúde da população e o meio ambiente, já que a postura do atual presidente é permissiva quanto ao uso de agrotóxicos no país.

Não é de hoje que organizações e movimentos populares do campo alertam para a urgência da redução do consumo de veneno no Brasil. No final de 2018, eles foram protagonistas no processo de tramitação do PL 6670/16, que instituiu a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA). O projeto enfrentou resistência da bancada ruralista e não conseguiu avançar na Comissão Especial que trata do assunto na Câmara dos Deputados.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, a mobilização social é a única forma de pressionar pela redução do uso de veneno no país. “Não é exagero dizer que os brasileiros nunca foi tão reféns do agronegócio. A saúde da população e a preservação do meio ambiente não entram na conta dos ruralistas. A população precisa se mobilizar com urgência para barrar os desmandos desse setor”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR