Centrais sindicais apresentam propostas para tentar reverter prejuízos do golpe

A narrativa criada pelas elites e pela mídia tradicional para legitimar a retirada da presidente eleita Dilma Rousseff da Presidência já não se sustenta há um bom tempo. Quase 50% dos brasileiros estão certos de que o episódio foi um golpe institucional e não respeitou as regras democráticas. Os números são de uma pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).

Além de perceberem que o episódio se tratou de um golpe, os brasileiros estão cada vez mais insatisfeitos com a política do governo ilegítimo de Michel Temer. De acordo com o instituto Datafolha, o golpista tem 82% de rejeição, o que faz dele o presidente mais impopular da história do Brasil.

É por conta desse cenário de grande descontentamento que as principais centrais sindicais do país – entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – lançaram a “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora – Democracia, soberania e desenvolvimento com Justiça Social: Trabalho e Emprego”.

Nos próximos dias, o documento será apresentado aos pré-candidatos à Presidência da República como forma de pressioná-los a reverter os retrocessos causados pelas medidas do governo ilegítimo de Michel Temer, caso sejam eleitos.

Entre as propostas imediatas para retirar o Brasil desse abismo está a criação de programas para reverter o desemprego e a subutilização da força de trabalho, que já atingem mais de 27 milhões de brasileiros. Além disso, o documento propõe a retomada da valorização do salário mínimo, o combate à informalidade e a revogação da Reforma Trabalhista, da Lei das Terceirizações e da Emenda Constitucional (EC) 95, que congelou investimentos sociais por 20 anos no Brasil.

Como o desenvolvimento está diretamente ligado à soberania nacional, a agenda também registra a necessidade de dar um basta na política de privatização da Petrobrás e de outras empresas estatais. A ideia é pressionar o próximo governo a dar continuidade ao projeto de soberania nacional que foi interrompido pelo golpe de 2016.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, o período pré-eleitoral é um momento estratégico para os trabalhadores exercerem pressão sobre os governantes e as elites. “Os brasileiros já não têm mais esperanças de que a linha política de Michel Temer conseguirá melhorar a vida da população. Por isso, além de resistir aos retrocessos, é urgente que os trabalhadores apresentem suas propostas para combater as consequências do golpe de 2016”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR