Bolsonaro propõe modelo previdenciário que levou chilenos à pobreza

“Se a Reforma da Previdência não for aprovada, o Brasil vai quebrar”. É por meio de chantagens como essa que Jair Bolsonaro, o presidente sem nenhum projeto de desenvolvimento, pretende aprovar o fim da aposentadoria no país.

Essa estratégia não é nova: o governo golpista de Michel Temer também utilizou a narrativa da chantagem para aprovar a Reforma Trabalhista e a Lei das Terceirizações. No discurso oficial, elas seriam as grandes responsáveis pela retomada do desenvolvimento do país. Hoje, o que se vê é a multiplicação de vagas com péssimas condições de trabalho e a estagnação do desemprego, que ainda atinge mais de 12 milhões de brasileiros.

O governo Bolsonaro segue a mesma estratégia, mas de uma maneira ainda pior: a perseguição contra os trabalhadores e os sindicatos está a todo vapor! Essa ofensiva tem uma razão de existir, pois a aprovação da Reforma da Previdência e a criação de um modelo de capitalização das aposentadorias irão favorecer diretamente ao mercado financeiro e aos bancos. Em outras palavras, o desamparo da população é quem vai bancar os privilégios de uma pequena elite.

Capitalização gera pobreza

Se tivesse alguma preocupação com o bem-estar dos trabalhadores, Jair Bolsonaro não estaria propondo a aprovação de um modelo de capitalização que levou a população do Chile à miséria. Nesse sistema, cada trabalhador contribui individualmente para uma espécie de poupança que é utilizada para custear o benefício no futuro. Instituições financeiras podem investir esse dinheiro no mercado, elevando os riscos quanto ao valor do benefício do trabalhador.

Aprovada no Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet, na década de 1980, a capitalização provocou uma verdadeira epidemia de pobreza e suicídio na terceira idade. Para aprová-la, o governo chileno prometeu um retorno de até 70% da renda média do trabalhador. Hoje, os primeiros aposentados pelo modelo recebem em torno de 35% de sua média salarial.

Dados da Fundação Sol, entidade chilena que analisa a economia e o trabalho no país, revelam que 90,9% dos aposentados pelo regime de capitalização recebem o equivalente a R$700 de aposentadoria. O salário mínimo no país é de aproximadamente R$ 1.300.

As consequências foram tão catastróficas que, hoje, o país estuda maneiras de reverter a capitalização e controlar o surto de pobreza na terceira idade. Colômbia, México e Peru, que também cederam à privatização da Previdência, estudam medidas para reduzir as desigualdades geradas pela reforma.

Para o diretor do Sindiquímica-PR  Santiago da Silva Santos, o modelo de capitalização é a expressão mais clara do descaso do governo Bolsonaro com os trabalhadores brasileiros. “Para favorecer meia dúzia de banqueiros, o presidente está acabando com a perspectiva de um futuro digno para a maioria da população. Nesse cenário, a nossa resistência é a única saída”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR