Assembleia Geral Extraordinária deflagra greve contra a privatização da Fafen-PR

Na noite de ontem (18), uma Assembleia Geral Extraordinária realizada na sede do Sindiquímica-PR aprovou greve na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR). A data da mobilização será determinada pela diretoria do sindicato, que definirá um período estratégico para o início da ação, garantindo que a greve gere o impacto sociopolítico desejado.

A paralisação terá caráter de resistência à privatização da unidade e contra os ataques aos direitos dos trabalhadores que ali atuam, como a aplicação de advertências abusivas e o desrespeito ao acordo que prevê o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para os petroquímicos da empresa.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, a mobilização é necessária porque uma transferência da unidade para a iniciativa privada iniciaria uma inevitável cadeia de desrespeito aos direitos trabalhistas. “Sabemos que os interesses do mercado são muito diferentes dos interesses do trabalhador. A gente sempre falou que ia chegar um momento de definição sobre essa questão, e esse momento chegou”, afirmou.

Monteiro também ressaltou que, em sua opinião, os efeitos que estão sendo sentidos pelos petroquímicos nesse momento são consequência direta da Reforma Trabalhista, criada como um mecanismo de ameaça contra os trabalhadores. “A única maneira de mantermos nossos empregos e nossa dignidade é dizendo não. A gente não entra nesse processo de cabeça baixa. Temos um acordo coletivo e vamos lutar para mantê-lo”.

Eleição de delegados e suplentes

A assembleia também elegeu uma comitiva de delegados e suplentes para representar a entidade no 5º Congresso Regional Unificado dos Petroleiros e Petroquímicos do Paraná e Santa Catarina.

A comitiva que irá ao evento é composta pela direção do sindicato e pelo petroquímico Sidney Oliveira. A chapa única foi aprovada por unanimidade.

Na visão do diretor do Sindiquímica-PR Gerson Luiz Castellano, a participação nesse tipo de evento é importante para unificar e fortalecer ainda mais a luta pelo Sistema Petrobrás a nível regional. “Essa cumplicidade que a gente tem aqui entre a categoria é o que nos faz avançar nas lutas e fazer a diferença na conjuntura nacional”, lembrou.

O congresso acontecerá nos dias 22 e 23 de junho, na sede do Sindipetro PR/SC, em Curitiba. As conclusões do evento serão levadas para a plenária nacional, que ocorrerá no Rio de Janeiro em agosto.

Deputado Tadeu Veneri também participou de conversa com a categoria

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) compareceu à Assembleia e conversou com os trabalhadores sobre os desmontes no Sistema Petrobrás – e na democracia brasileira como um todo – desde o golpe de 2016.

Veneri falou sobre as consequências sociais das privatizações e vendas de refinarias e reafirmou a necessidade de denunciar os desdobramentos desse processo para o restante da sociedade. “A nossa grande dificuldade é mostrar para as pessoas qual é o efeito prático de fechar uma Fafen, e que essa decisão não é econômica, mas política”, defendeu o parlamentar, se referindo à privatização da Fafen-PR.

O deputado também ressaltou a importância do fortalecimento do movimento sindical para a conscientização coletiva sobre os efeitos devastadores a médio e longo prazo da postura entreguista do atual governo em relação às unidades de operação.

Fonte: Sindiquímica-PR