As elites, a exploração e os privilégios: o Brasil de Bolsonaro

Difícil encontrar quem duvide da existência de uma profunda desigualdade social no Brasil. Quando expressamos essa realidade em números, ela fica ainda mais revoltante: um levantamento da organização Oxfam realizado em 2017 revelou que os seis brasileiros mais ricos possuíam a mesma riqueza das 100 milhões de pessoas mais pobres do país. Existe um verdadeiro abismo entre classes no Brasil.

Quando se trata de explicar essas desigualdades, porém, surgem os argumentos mal-intencionados e as mentiras. “Algumas pessoas são mais preparadas que as outras”, dizem alguns. “Os mais ricos se esforçaram mais para chegar onde estão”, alegam outros. Sabe-se, na verdade, que essa brutal diferença entre os cidadãos no Brasil é resultado de uma intensa exploração da classe trabalhadora, injustiça que tende a se intensificar ainda mais no governo Bolsonaro.

É possível reduzir as desigualdades

Nas últimas duas décadas, especificamente de 2003 a 2015, o Brasil viveu seus “tempos de ouro”. O país conseguiu avançarnesse período, combinando crescimento econômico, geração de emprego e distribuição de renda. Pela primeira vez, o pobre andou de avião, o filho da empregada doméstica teve acesso à universidade e a fome, uma realidade gritante na década de 1990, foi praticamente eliminada.

O ano de 2019 está se aproximando e, infelizmente, o Brasil descrito anteriormente está apenas na memória dos trabalhadores. Endividados, sem emprego e desamparados, os brasileiros travam lutas diárias pela sobrevivência. O país já está colhendo os frutos dos projetos aprovados pelo golpista Michel Temer, como a Reforma Trabalhista, a Lei das Terceirizações e o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos.

Temer, na verdade, cumpriu com a função de ser um fantoche da elite nacional e do mercado financeiro. Trata-se de uma elite que não pensa duas vezes antes de pressionar a aprovação de medidas que retiram direitos dos pais e das mães de família para encherem ainda mais os seus bolsos já bilionários.

São setores que fazem acordos com o Estado para tirar direitos do povo e para garantir o funcionamento do mecanismo escandaloso da dívida pública. A elite capitalista não mede esforços para manter seus privilégios e, culturalmente, ela não suporta ver o trabalhador prosperar ou o pobre sair da situação de vulnerabilidade. Tudo em nome de seus privilégios.

Os poderosos já mostraram que estão dispostos a quase tudo para acentuar a desigualdade brasileira. Tudo indica que, com Bolsonaro, essa elite ficará ainda mais poderosa. O futuro presidente já declarou diversas vezes que os brasileiros terão que escolher entre ter direitos ou emprego. No Brasil de Bolsonaro, as regras do capitalismo estarão mais vivas do que nunca: ao trabalhador, nada e aos patrões, tudo.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, a resistência é o único caminho para evitar um verdadeiro caos social no Brasil. “Desemprego, ataques aos nossos direitos, o fim da aposentadoria e a extinção dos serviços públicos de qualidade: esse é o Brasil que Bolsonaro quer construir. Precisamos, mais do que nunca, resistir à exploração e reafirmar que a dignidade dos trabalhadores brasileiros não é negociável”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR