A venda das refinarias da Petrobrás representa um atentado à soberania nacional

O desmonte da maior e mais importante estatal brasileira não para. A Petrobrás anunciou, no final de abril, a venda de oito de suas 13 refinarias de petróleo. Se o plano de Castello Branco se concretizar, o setor privado vai se apoderar de 46% da capacidade nacional de refino. Somente as refinarias dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo continuariam sob controle da empresa.

Serão entregues ao setor privado a Refinaria Abreu e Lima, a Unidade de Industrialização do Xisto, as refinarias Landulpho Alves, Gabriel Passos, Presidente Getúlio Vargas (a Repar, do Paraná), Alberto Pasqualini (a Refap, do Rio Grande do Sul) e Isaac Sabbá, além da Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor).

De acordo com o conselho administrativo da empresa, o processo de venda deve ter início em junho, com a qualificação dos interessados e a análise das propostas. O propósito da estatal é arrecadar entre US$10 e US$ 15 bilhões com a venda das refinarias.

O processo de privatização da Petrobrás é motivo de apreensão por vários motivos. O governo utiliza  o discurso falacioso de que a política entreguista vai retomar o crescimento econômico e aquecer o consumo entre os brasileiros.

A própria realidade está mostrando o contrário: a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 já caiu diversas vezes e o desemprego registrou mais uma alta no último trimestre, atingindo 13,4 milhões de brasileiros.

Além disso, a tendência é que a entrega das refinarias para o investidores estrangeiros crie um monopólio privado que não tem preocupação com a soberania nacional. Nessa queda de braço, os trabalhadores podem sair perdendo, já que não existem garantias de que os novos administradores vão manter os direitos trabalhistas conquistadas pela categoria ao longo dos anos.

Para o diretor do Sindiquímica Santiago da Silva Santos, o governo Bolsonaro e a gestão Castello Branco estão destruindo qualquer resquício do projeto de desenvolvimento vivenciado pelo Brasil nos anos anteriores.

“Está claro que as diretrizes políticas desse governo não têm nenhuma consideração pelo país e pelos brasileiros. Eles só têm olhos voltados para as elites financeiras e, se não agirmos coletivamente, o Brasil pode entrar em um caminho de destruição em pouco tempo”, lamenta.

Fonte: Sindiquímica-PR