A Reforma da Previdência e as eleições: qual é o papel dos trabalhadores?

O governo ilegítimo de Michel Temer tomou a Presidência da República por meio de um golpe com objetivos claros: barrar o avanço nas políticas sociais, retirar direitos trabalhistas e favorecer as grandes elites empresariais e o mercado financeiro.

Esse projeto político devastador está representado nos principais projetos aprovados pelo golpista e por grande parte do Congresso Nacional: a Emenda Constitucional (EC) 95/2016, que congelou investimentos sociais por vinte anos, a Reforma Trabalhista e a Lei das Terceirizações.

Graças à grande mobilização de sindicatos e movimentos sociais – por meio de manifestações, greves e um profundo trabalho de conscientização social –, o presidente ilegítimo não conseguiu votos suficientes na Câmara dos Deputados para aprovar a Reforma da Previdência.

Por ser ano eleitoral, os parlamentares foram pressionados a recuar na proposta, que pretende retirar de milhões de brasileiros o direito a uma aposentadoria digna.

A rejeição popular à reforma chegou a 71% em 2017, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha.

Esse número, que pode ser ainda maior, confirma que os brasileiros não têm mais dúvidas de que os projetos de Temer servem apenas para favorecer os setores poderosos, que lucram com a exploração da classe trabalhadora e com os mecanismos injustos da dívida pública.

Previdência e eleições

Com a proximidade da corrida eleitoral de 2018, a pressão social para barrar de vez a Reforma da Previdência precisa ser ainda mais intensa. É provável que a maioria dos candidatos evite abordar em profundidade a questão da reforma, já que a defesa do projeto pode gerar perda de votos. Nesse cenário, qual é o papel dos trabalhadores?

Nos últimos anos, ficou mais fácil identificar quem são os inimigos da classe trabalhadora. Os parlamentares que votaram a favor da EC 95/2016, da Reforma Trabalhista e da Lei das Terceirizações não estão do lado de quem trabalha.

Não há dúvidas de que esses setores negaram apoio a Temer na votação da Reforma da Previdência apenas para evitar reações negativas por parte do eleitorado.

Depois da corrida eleitoral, no entanto, o cenário muda. Temer já declarou diversas vezes que pretende retomar a tramitação do projeto logo após as eleições, ainda em 2018. Nos planos do governo, os parlamentares não estariam mais sob a pressão do eleitorado e, por isso, votariam a favor do projeto.

Por isso, além de não votar em golpistas, entreguistas e inimigos da classe trabalhadora, os brasileiros terão que intensificar a mobilização social para barrar novamente o fim da aposentadoria no Brasil.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, as eleições de 2018 são decisivas para os trabalhadores. “A democracia no Brasil está frágil. Os brasileiros estão reféns de decisões feitas em reuniões fechadas, sem a participação do povo. A corrida eleitoral deste ano é fundamental para a classe trabalhadora mostrar que não tolera mais a retirada de direitos e o entreguismo”, afirma.

Fonte: Sindiquímica-PR