A mentira da meritocracia: Brasil é o segundo pior país em mobilidade social

Apesar do discurso da meritocracia, melhorar de vida no Brasil é mais difícil do que se pensa. De acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país ocupa a segunda pior posição em mobilidade social entre 30 países analisados.

Isso significa que são necessárias nove gerações para um brasileiro sair da faixa dos 10% mais pobres e acessar a renda média do país. No estudo, o Brasil empatou com a África do Sul no segundo lugar e ficou atrás apenas da Colômbia, onde famílias pobres demoram 11 gerações para sair da condição de vulnerabilidade.

Os números revelam a profunda desigualdade de oportunidades e renda que marca o país. Em 2017, um levantamento da organização Oxfam mostrou que as seis pessoas mais ricas do Brasil têm mais dinheiro que os 100 milhões de brasileiros mais pobres. Além disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 1% mais rico do país recebe por mês 36 vezes mais do que a metade da população com os menores salários.

Para superar esse verdadeiro abismo social entre pobres e ricos, o Estado deveria dar prioridade aos investimentos públicos para garantir a igualdade de oportunidades e melhores condições de vida. O governo ilegítimo de Michel Temer, no entanto, caminha no sentido contrário, atuando para favorecer ainda mais os grandes empresários e o mercado financeiro.

Para o diretor do Sindiquímica-PR Sérgio Luiz Monteiro, as reformas e a política entreguista promovidas pelo golpista agravam a desigualdade do país. “Entre 2002 e 2016, o país experimentou uma profunda mudança social, com investimento pesado em educação e geração de empregos. Com isso, muitos brasileiros conseguiram melhorar as condições de vida de suas famílias. Mas todo esse avanço está sendo destruído rapidamente pelo governo golpista de Temer”, critica.

Meritocracia para quem?

As elites investem em narrativas fantasiosas para justificar a desigualdade brutal que atinge o Brasil. Uma das estratégias é fortalecer o discurso da meritocracia, ou seja, a ideia de que apenas o esforço individual é suficiente para alguém melhorar de vida.

A pesquisa da OCDE desmente essa perspectiva mostrando que, entre as famílias das classes média e alta, apenas 7% dos filhos têm chances de sofrer queda na qualidade de vida em relação aos pais. O índice revela o que já é conhecido no país: as condições de vida estão diretamente relacionadas com as oportunidades que cada um tem.

“Em vez de ampliar as saídas para os mais pobres, o governo ilegítimo de Michel Temer retira direitos. Isso vem acontecendo com os cortes na educação pública e com a multiplicação de empregos cada vez mais precários para os brasileiros de baixa renda. Para voltar a reduzir as desigualdades no Brasil, é urgente superar o golpismo”, complementa Monteiro.

Fonte: Sindiquímica-PR