Maia confirma que privatização da Eletrobras não será votada neste ano

por Antonio Mello

Já passava das 22h desta terça-feira (10/07), após mais um exaustivo dia de negociações para desobstruir a pauta de votações da Câmara dos Deputados, quando o Presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), declarou enfaticamente ao Deputado Orlando Silva (PC do B-SP), “em homenagem ao acordo que fizemos na semana passada, conforme eu tinha lhe prometido primeiro, antes da conversa que eu tive com outros líderes, eu lhe informo e deixo claro, que nosso acordo em relação à não votação do PL da Eletrobras, está garantido e será conduzido dessa forma por esta presidência, e nós não votaremos o PL da Eletrobras este ano”.

A afirmação foi tomada com certa surpresa por uma parte dos deputados e comemorada por outros, mas a avaliação geral é de que a decisão de Maia foi a mais acertada para o momento político.

Prestes a sofrer uma debandada por conta do início das campanhas para a eleição de outubro, na qual a maioria dos deputados tenta se reeleger, a Câmara vinha sofrendo sucessivos travamentos e obstruções nas votações de Medidas Provisórias importantes para o Governo. Não restou outra opção ao Presidente da casa, senão tirar uma carta da manga. Reuniu-se com lideranças e garantiu que, caso as votações fossem desobstruídas, a votação da PL 9463, que trata da privatização da Eletrobras, seria retirada da pauta de votações para este ano.

A notícia foi comemorada com moderação, tanto por representantes dos empregados do Grupo Eletrobras, quanto por parlamentares da oposição. “Essa decisão foi muito importante para todos os trabalhadores que lutavam contra a privatização, já que o Projeto de Lei correu dentro de uma Comissão terminativa e isso trazia o risco de que o mérito não fosse votado no plenário da Câmara, indo direto para o Senado, já com um relatório pronto”, esclareceu Victor Costa, Diretor da Associação dos Empregados de Furnas (ASEF). Já o ex-Conselheiro de Administração de Furnas, Felipe Chaves, foi mais enfático, declarando que “o PL9463 tinha uma péssima modelagem, com fins espúrios e eleitoreiros. Agora, os candidatos à presidência da República devem se posicionar publicamente sobre a entrega ou não de ativos estratégicos”.

O Coordenador do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), entidade responsável pela recente greve da categoria, Wellington Diniz, foi bastante comedido no tom da sua comemoração: “A vitória é parcial e importante, mas nossa luta não acabou. Seguiremos firmes até a instalação de um governo legítimo, que respeite o estado nacional e o patrimônio do povo brasileiro”. Tom semelhante ao adotado pelo Deputado Alessando Molon (PSOL-RJ), um dos parlamentares mais contundentes contrários ao processo: “É uma vitória parcial, porque nós queríamos que o projeto fosse retirado da Câmara pelo Governo. Portanto, vencemos uma batalha, mas ainda não a guerra”, comemorou.

A decisão de Maia sacramenta o que já era esperado, tanto na esfera política, quanto pelo mercado. O processo de privatização da Eletrobras vinha claramente definhando junto com a popularidade do Governo Temer e a imagem do Presidente da Eletrobras, Wilson Pinto Ferreira Jr, envolvido em uma série de irregularidades e denúncias, chegando a ser ridicularizado pelos seus subordinados em circunstâncias solenes.

Fonte: Revista Forum