Histórico

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR) é criado em 21 de maio de 1985 a partir de uma assembleia que reuniu 221 trabalhadores da Ultrafértil. Na ocasião é aprovada a transformação da Associação Profissional dos Trabalhadores Petroquímicos, até então uma entidade com caráter associativo, em um sindicato.

O processo de criação de uma entidade sindical e reivindicativa evidencia a necessidade de atuação coletiva dos petroquímicos, enquanto parte da classe trabalhadora, na luta em defesa dos interesses da categoria junto à administração da empresa e o Estado. A partir de então, as manifestações ganham corpo e a entidade se estrutura. O marco desta nova identidade é concretizado com a primeira greve dos petroquímicos, realizada no dia 25 de julho de 1986, que resulta na parada da produção de fertilizantes na fábrica por cerca de 20 dias.

Nos anos que se seguiram, o Sindiquímica-PR esteve presente em grandes e importantes mobilizações que marcam o processo de redemocratização do Brasil com o fim do regime militar (1964-1985). As ações de protesto e reivindicações realizadas ao longo dos anos 80 tornam efetivas as reconquistas do direito a manifestação e expressão e o direito de greve.

Em 1989 – ano em que é realizada a primeira eleição direta para a Presidência da República e um ano após a publicação da nova Constituição Federal –, os trabalhadores realizam a primeira campanha salarial unificada dos petroquímicos e dos petroleiros. A campanha conjunta representa um salto na organização e unificação do setor, que se mobiliza em busca de um reajuste salarial que recuperasse as perdas geradas pelo longo processo inflacionário do período.

Nos anos de 1992 e 1993, o Sindiquímica-PR esteve engajado na luta contra a privatização do setor de fertilizantes, iniciada no governo Fernando Collor (1990-1992) e concretizada na administração de Itamar Franco (1992-1995). Na época, os trabalhadores da Fosfértil/Ultrafértil defendem a importância estratégica de manter o setor sob gestão pública e denunciam o impacto que a privatização teria na produção de alimentos, com o aumento do preço dos fertilizantes devido à criação de um monopólio privado.

Nessa campanha contra a privatização, o Sindiquímica-PR se alia aos demais trabalhadores do sistema Petrobrás Fertilizantes – composto então pelas empresas Ultrafértil, Nitrofértil, ICC, Goiasfértil e Fosfértil, Arafértil e Indag – e recebe apoio de movimentos sociais, sindicatos e autoridades.

No dia 28 de janeiro de 1992, é realizada em Araucária uma grande manifestação, reunindo os petroleiros e os petroquímicos do setor.

Mesmo com toda a mobilização e apoio da sociedade, os trabalhadores não conseguem impedir a privatização da fábrica que, na época, produzia 42% dos fertilizantes utilizados no país. Com muita luta por meio de pressão popular e manifestações, o leilão é adiado de novembro de 1992 para 24 de junho de 1993. A Ultrafértil é vendida por U$207 milhões, cerca de metade do valor avaliado pela inicialmente pela comissão de Desestatização. O resultado desse processo é criação de oligopólio dominado pelas multinacionais Bunge, Mosaic/Cargil e Yara.

Com a transição da Ultrafértil para a gestão privada, o Sindiquímica-PR inaugura uma nova etapa no processo de organização dos trabalhadores. Passam a ser pautas importantes a defesa de melhores condições de trabalho, reajuste salarial, por capacitação profissional e por um programa de cargos e salários.

Em 1995, os trabalhadores permaneceram acampados em frente à Ultrafértil por 20 dias para obrigar a empresa a discutir sobre o direito da categoria à participação nos lucros. A mobilização é vitoriosa e traz como resultado a implementação da política de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na empresa.

A partir de 1998 a categoria renova suas reivindicações, exigindo maior segurança e melhores condições de trabalho.

Essa nova postura é também reflexo da política de administração da empresa que aumenta a exploração dos trabalhadores ao mesmo tempo em que reduz o investimento nos programas de manutenção dos equipamentos e de prevenção aos acidentes de trabalho. Em outubro desse mesmo ano, ocorre na Ultrafértil a explosão de um equipamento por corrosão interna e o sindicato passa a denunciar a falta de manutenção preventiva de maquinário.

Para consolidar e ampliar o seu papel como agente transformador da sociedade, em defesa de um projeto mais justo e igualitário, o Sindiquímica-PR também participa de diversas atividades políticas junto com movimentos sociais e sindicatos. Em 2001 e 2002, esteve presente em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no Fórum Social Mundial realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Ao longo desses 30 anos de existência, o Sindiquímica-PR destacou-se não apenas como um importante instrumento de organização dos trabalhadores petroquímicos por melhores condições de trabalhos e por salários mais condizentes, mas também por sua incansável luta em defesa da soberania alimentar, contra a privatização das indústrias e bens públicos e contra a formação de oligopólios e cartéis que prejudicam o conjunto da população.

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